A Crítica Requer Auto Controle – Parte 2

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Continuação do texto A Crítica Requer Auto Controle – Parte 1

A justiça é essencial para a crítica. Devemos estar de acordo com os ditames da justiça e dar o tratamento que o Islam nos ensina, e não apenas seguir os nossos próprios gostos e predileções. Devemos ter certeza de nunca cometer injustiça com ninguém, nem distorcer a verdade. Pessoas de integridade que sempre se comportaram de forma exemplar devem ter o devido tratamento e respeito que merecem. Certamente, existe uma grande necessidade na sociedade de hoje para a reforma e a reavaliação, mas isso precisa ser feito com justiça e compaixão, não expondo e aumentando a gravidade dos erros das pessoas para o bem dela. Devemos nos esforçar, entanto, deixando claro quando alguém diz algo contra os ensinamentos básicos e indiscutíveis da nossa fé.

É bastante irônico que as pessoas possam ler as obras de um sábio ou divulgador sem ter qualquer intenção de se beneficiar das coisas boas que podem aprender. No entanto, quando seu propósito se volta para refutar este sábio, tornam-se atenta a cada palavra escolha e a cada frase na esperança de descobrir um erro.

Quando as pessoas precisam ser corrigidas, isso deve ser feito com cuidado. O Profeta Muhammad (que a paz de Allah esteja com ele) também disse: “Gentileza não entra em algo sem que esta a embeleze. Sua ausência faz com que algo se torne desprezível” [Sahih Muslim n°: 2594].

O Profeta (que a paz de Allah esteja com ele) também disse: “Ó ‘Aishah, Allah é gentil ama a gentileza. Ele concede aos que apresentam bondade o que Ele não concede para aqueles que demostram agressão. Ele nos concede através de nossa bondade o que Ele concede através de quaisquer outros meios”. [Sahih al-Bukhari n°: 6927 e Sahih Muslim n°: 2165]

Allah nos exorta no Alcorão: “Convoque para o caminho do seu Senhor com sabedoria e uma boa pregação, e discute com eles da melhor maneira”. [Surah An Nahl 16, aya 125]

Este versículo afirma que a discussão exige as melhores maneiras possíveis. Pregação deve ser “boa”, mas argumentação tem de ser “melhor”. Isso pode ser porque há um perigo maior quando ficam acima as emoções e o ego no caminho da discussão. Existe uma maior chance quando as pessoas estão discutindo de se ter raiva e, com isso, cometer injustiça.

A verdade que Allah nos cedeu uma relação de confiança. É um dever religioso comunicar essa verdade aos outros e sanar os equívocos. Relacionado a isso está o dever de ordenar a justiça, proibir o delito, e as disputas através de falsas alegações. Todos estes são deveres religiosos e, portanto, devem ser conduzidos com dignidade, decoro e boa conduta. A prática de tais direitos não vêm com uma licença para abusar de outros.

Sempre é um erro quando a crítica assume um tom abusivo ou provocativo, ou quando se pretende humilhar o adversário em conformidade. Esse não é o caminho daqueles que buscam a verdade, mas sim daqueles que a ignoram. Não é nada mais do que sucumbir ao desejo básico para o domínio. Essa não é a forma como o Islam nos ensina a se comportar.

Quando olhamos o exemplo de vida do Profeta Muhammad, encontramos que ele nunca apresentou tal comportamento. Ele sempre foi “misericordioso e sensível”, o seu companheiro ‘Imran Ibn Al Husayn o descreveu, “suave”, como outro companheiro Mālik Ibn Al Huwayrith descreveu-o. Ibn ‘Abbas nos diz: “Ninguém nunca foi agredido em sua presença”.

É da natureza humana ressentir-se quando a outra pessoa é dominadora ou abusiva. O instinto natural de uma pessoa é de resistir. É por isso que Allah diz sobre o Profeta Muhammad (que a paz de Allah esteja com ele): “É por misericórdia de Allah que tu [Muhammad] é gentil com eles. Se houvesses sido rspido ou duro de coração, certamente teriam dispersado de teu redor. Então, indulta-os e implore perdão [a Allah] para eles e consulta-os nos assuntos”. [Sura Al ‘Imran 3, aya 159].

Da mesma forma, Allah disse a Moisés (que a paz de Allah esteja com ele): “E falar-lhe uma palavra gentil, na esperança dele meditar ou recear (a Allah)”. [Sura Taha 20, aya 44]. A misericórdia e a bondade unem as pessoas, enquanto severidade e a dureza conduz ao afastamento.

O Islam estabelece certos princípios indiscutíveis de crença e prática para que os muçulmanos defendam. Estabelece igualmente para nós os princípios inalienáveis ​​de bondade humana e os direitos humanos. É uma mensagem para a humanidade, e Allah criou os seres humanos com todas as suas limitações e atributos. As pessoas, por sua natureza resistem àqueles que agem com dureza para com eles. Eles resistem. Mesmo se você estiver com a razão, por que se comportar de tal maneira quase garantindo a oposição da pessoa que você está criticando? Esta é uma questão de extrema importância. Ao ser duro, a pessoa não se envolve em um discurso de idéias, mas sim, em uma luta entre a idéia de que você está defendendo (que pode ser a verdade), e da natureza humana de seu oponente – que você resiste simplesmente por causa de seu jeito grosseiro de criticar.

Olhe então como o Alcorão estabelece seus ensinamentos. Em muitos casos, seus mandamentos são dados indiretamente, por exemplo, elogiando e prometendo uma grande recompensa para aqueles que se envolvem no comportamento desejado, ou expressando desaprovação para aqueles que abandonam essa prática. O Alcorão se engaja no sentido de incentivar o bom comportamento e desencorajar o mal comportamento. Ele tem uma abordagem muito humana. Allah sabe como criou nós como seres humanos, e Ele sabe que o precisa ser abordado. É por isso que os ensinamentos éticos essenciais e de boas maneiras que o Islam incentiva são aqueles que são reconhecidos por todas as pessoas.

Na ausência de bom comportamento, a crítica pode conduzir aqueles que são criticados se tornarem ainda mais persistentes no que eles são ou estão fazendo, não importa quão errado ou equivocado seja.


Unicidade e Luz
Explicando o Islam de forma clara e simples