Evitar a Discussão – Uma Habilidade Vital Que Deve Ser Cultivada

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Me dá certa satisfação ao recordar os momentos que tenho sido capaz de engolir minha amargura e conter minha raiva quando um dos meus queridos irmãos (que não consegue pensar de mim como tal) abusou de mim porque discordou comigo em algum um momento. No entanto, quero dizer seriamente quando falo: há muito mais coisas que temos em comum do que os pontos de discórdia existentes entre nós.

Sinto-me feliz quando lembro como Allah me ajudou a frear e, portanto, evitar entrar em discussões baseadas em argumentos inúteis, do tipo apimentadas e acirradas, onde teria, inevitavelmente, a tendência – consciente ou inconsciente – em um nível de disputa para o bem-estar do meu próprio ego em lugar da verdade.

No calor do momento, existe um forte impulso para “esclarecer” a “verdade” ou “dar a informação completa”, ou qualquer outra justificativa endurecendo assim o coração para uma disputa inútil e desprezível. Entramos então em um deserto selvagem e árido quando nos deixamos sucumbir a esse impulso.

A força da convicção religiosa – que nos devem tornar exemplares, indivíduos bem-educados e guiar nossas relações interpessoais de uma forma positiva – infelizmente faz com que alguns de nós endureçamos o coração, fiquemos amargos e ressentidos com os outros. Às vezes, seu ardor faz sempre procurar defeitos nos outros ou razões para desprezá-los. Tornando-se assim o tipo de pessoa que todos os outros tentam evitar, já que todo mundo espera que ele venha com perguntas para interrogar a sua fé: “Que ideologia você aprova? Que metodologia você segue? Quem é o seu shaikh? Qual é a sua posição sobre tal e tal coisa?”.

Lembro uma vez quando um jovem foi até meu professor Salih al-Bulayhi pedindo para falar com ele em privado. Meu professor se levantou e foi com ele até uma distância onde os dois pudessem falar sozinho. Assim que eles chegaram nela, o jovem explodiu e disse: “Eu te odeio por Allah!”.

Meu professor sorriu e disse: “Mas qual o motivo para isso?”.

O homem disse: “Porque você disse que pode pagar o Zakat al-Fitr em arroz e que podemos oferecer a oração Tarawih até cinco unidades de oração!”.

Então meu professor respondeu: “Nosso Profeta (que as bençãos e a paz de Allah estejam com ele) nos disse que quando amamos alguém por amor a Allah, então devemos dizer-lhes que os amamos. Isto, como sabemos, é relatado por Abu Dawud. No entanto, não me lembro onde o Profeta disse que quando odiamos alguém por amor a Allah, devemos dizer que os odiamos”.

Sabiamente ele evitou uma discussão sobre um assunto trivial que teria feito nada além de endurecer tanto seus corações.

Evitar discussões é uma excelente habilidade para ser aprendida e dominada. Uma das suas é estar a salvo delas em todo momento! Também mantém nosso coração limpo e nosso relacionamento amigável com as outras pessoas.

Agradeço a Allah por não ter que lutar duramente para manter meu coração puro quando os outros foram rudes comigo em suas discordâncias. Uma forma de agradecer isso é me mantendo livre desse comportamento com qual fui tratado. É possível você mesmo desculpá-los, dizendo para si mesmo: “Algumas pessoas nunca aprenderam a falar com os demais”.

Com o tempo, aprendi uma maneira ainda melhor: suplicar por eles. É bom procurar os momentos em que as súplicas são mais aceitas por Allah, e pedir a Allah que os perdoe, mostrar-lhes misericórdia, e ajudá-los a superar suas deficiências. Você descobrirá que isto alivia a carga sobre seu coração. É bom suplicar a todos os muçulmanos, tanto para os educados como também para os ignorantes, para os virtuosos e também para os pecadores. Em verdade, incluo toda a humanidade em minhas suplicas, que Allah coloque o melhor dentre eles no comando e os proteja dos tiranos e da tirania, para que Ele conceda Sua graça e favor a eles, e para que Allah conceda a eles Sua Misericórdia, Clemência e Orientação.

Não me engano em pensar que sou imune a ser apanhado desprevenido pelo mau comportamento de alguém e esquecer todos os bons valores que aprendi, de modo que eu reaja e fale depois deles em defesa própria antes de ter tempo para recordar dos meus próprios princípios. Allah nos ensina a humildade através dessas experiências, e nos lembra que ainda somos pequenos alunos na escola da vida. Isso nos dá a oportunidade de voltar para Allah e dizer [significado em português]: “Disseram: Glorificado sejas! Não temos ciência senão a que nos ensinaste. Por certo, Tu, Tu é O Onisciente, O Sábio”. [Surah al-Baqarah 2: 32].

E dizer [significado em português]: “Disseram: Senho nosso! Fomos injustos com nós mesmos e, se não nos perdoares e não tiveres misericórdia de nós, estaremos, em verdade, dentre os perdedores”. [Surah al-‘Araf 7: 23].

Quando tropeçamos e esquecemos nós mesmos, isto deve nos deixar ainda mais alertas para manter a nossa dignidade e compostura no futuro: ser paciente, perdoar e esquecer.

Devemos recorrer a Allah que nos criou e pedir a Ele para purificar nosso coração e fazer o nosso eu interior mais agradável do que a nossa aparência externa, pedir para Ele nos conceder a humildade diante daqueles que nos precederam no conhecimento, fé e ações; e nunca se comportar arrogantemente com ninguém, não importa quais erros podemos vê-los fazendo.

Como o Profeta Muhammad (que as bençãos e a paz de Allah estejam com ele) disse: “Todos os descendentes de Adão são pecadores, e o melhor dos pecadores são aqueles que se arrependem”. [Sunan at-Tirmidhi nº: 2499 e Sunan Ibn Majah nº: 4251].

Aqueles que vemos cometer erros podem ter virtudes que só Allah sabe, e que podem superar em virtudes a muitos sábios, difusores e líderes religiosos. Allah nos diz, em relação as palavras de Noé [significado em português]: “E não cós digo que tenho os cofres de Allah nem que conheço o Invisível nem digo que sou anjo nem digo daqueles, que vossos olhos desprezam, que Allah não lhes concederá bem algum; – Allah é bem sabedor do que há em suas almas – por certo, nesse caso, eu seria dos injustos”. [Surah Hud 11: 31].

Fonte: Islamtoday


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