Origem Pagã da Semana Santa [Parte 2]

Introdução

No Islam é proibido celebrar qualquer festividade ou acontecimento que tenha origens pagãs o que no tenham uma evidência nos textos das fontes do Islam: O Alcorão e a Sunnah.

Disse Allah [significado em português]: E por dizerem: Matamos o Messias, Jesus, filho de Maria, o Mensageiro de Allah. Ora, eles nem o mataram nem o crucificaram mais isto lhes foi simulado. E, por certo, discrepam a seu respeito estão em duvida acerca disso. Ele não tem ciencia alguma disso, senão conjeturas que seguem. E não o mataram seguramente”. [Surah An-Nissa’ 4: 157]. Ao comparar este versículo do Sagrado Alcorão com as diferentes celebrações realizadas durante a Semana Santa, em especial as da Igreja Católica, o muçulmano e o sincero buscador da verdade, não podem senão desconfiar e questionar a autenticidade destes atos. Um argumento comum apresentado por aqueles que apóiam estas tradições disfarçadas em formas de culto, é que estas não têm relação alguma com o paganismo e que elas estão sustentadas pela Bíblia e a tradição cristã. Também alegam que os muçulmanos e os críticos, ao não acreditarem na autenticidade absoluta da Bíblia, carecem de autoridade para defender os seus argumentos.

É neste sentido que achamos conveniente reproduzir a opinião dos seguidores do cristianismo e da Bíblia que se opõe e debatem por sua vez, com evidências históricas e escrituras consideradas válidas pela tradição judaico-cristã sobre celebração da Semana Santa.

A Páscoa Pagã

Outro costume da Páscoa é a celebração do culto “ao amanhecer”. A opinião comum é que este ato em honra de Cristo é porque ele ressuscitou na manhã do Domingo de Páscoa “ao sair do sol”. Porém já temos visto que a ressurreição de Cristo não ocorreu ao amanhecer, já que estava escuro quando Maria Madalena chegou ao sepulcro no primeiro dia da semana “No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã cedo, quando ainda estava escuro. Viu a pedra removida do sepulcro” [João 20: 1]. Ao contrário, havia um tipo de culto pagão ao amanhecer conectado com a “adoração ao sol”.

No Antigo Testamento, o povo escolhido por Deus foi levado prisioneiro para a Babilônia devido sua mescla de paganismo e o culto ao sol. Deus lhes mostrou isto através de Ezequiel. “Então levou-me para o lado de dentro do Templo de Javé, e junto à entrada do Templo de Javé, entre a entrada do santuário e o altar, estavam vinte e cinco homens, de costas para o Templo de Javé, virados para Nascente a adorar o Sol”. [Ezequiel 8: 16]. Aqui vemos o povo que havia conhecido a Deus, permitiu esta mescla de culto solar entrasse e corrompesse seu culto ao verdadeiro Deus.

Os rituais relacionados com o amanhecer – de uma forma ou doutra – eram conhecidos em inúmeras nações. Os que construíram a Esfinge no Egito, o fizeram para que cuidasse do nascimento do sol que nasce do lado Oriente. Do monte Fuji-Yama [Japão] as pessoas rezam voltadas para o Oriente. Os peregrinos oram a seu sol nascente, enquanto escalam os lados da montanha… “Às vezes, podem-se ver centenas de peregrinos do Shinto [Xintoísmo] com suas túnicas brancas, saindo com suas sombrinhas cantando ao sol nascente” [A História do Culto Mundial, pág: 330]. E os “mitraistas” [1], pagãos de Roma, se reuniam ao amanhecer em homenagem de seu deus solar.

Voltando ao capítulo 8, versículo 17 de Ezequiel, quando o profeta viu 25 homens olhando para o Oriente ao amanhecer, não se importavam muito que seu costume estivesse misturado com outro culto. Mas devido a isto, Deus disse a Ezequiel: “Ele disse-me: Estás a ver, criatura humana? E a casa de Judá acha pouco praticar todas estas abominações que aqui fazem! Eles ainda enchem o país de violência, provocando a minha ira. E aí estão eles a aproximar o raminho do nariz”.

Este ritual de colocar algo mal cheiroso no nariz das pessoas era também relacionado com o amanhecer do sol no Oriente. Este era um ritual idólatra de colocar um ramo no nariz ao amanhecer, enquanto cantavam hinos ao sol nascente [Fausset, pág: 304]. Existe algum indicativo de que estes atos foram conduzidos durante a “Primavera”? Sim, existe! Na verdade, o mesmo Nome de “Easter” [Páscoa em inglês] vem da deusa da “Primavera”. Desta palavra saxônica temos em palavra “Leste”, que é o lugar onde nasce o sol.

Em Ezequiel 8: 14 lemos: “Depois levou-me até à entrada da porta do Templo de Javé, que dá para o Norte, onde estavam mulheres sentadas, a chorar pelo deus Tamuz”. E logo nos versículos seguintes, Ezequiel viu os ritos ao sol. De modo que inclusive as pessoas que conheciam a Deus, estavam misturadas com a religião da Babilônia, lamentando com Ishtar [2], a “mãe”, o deus Tamuz [3] morto, seu filho. Isto fazia parte do festival de primavera [o renascimento da nova vida da vegetação, etc.], representando assim, a vinda do deus Tamuz desde o fundo da terra. E juntamente conectando com estas festividades primaveris, estavam os ritos nos quais homens olhavam [contemplavam] para o Leste, ao sol nascente. A Enciclopédia Britânica diz: “O Cristianismo incorporou em sua celebração da grande festa cristã muitos dos rituais e costumes pagãos do festival de primavera idólatra” [volume: 7, pág: 859, artigo: “Easter”].

A evidência é clara: o presente costume da Semana Santa não é cristão. Seus costumes são simplesmente uma mescla de paganismo com cristandade. Alguns acreditam que podemos tomar estes costumes e usá-los para honrar a Cristo. Apesar de tudo isso, a maioria dos cristãos se lembra de Cristo durante esta época? Embora os pagãos adorassem o sol voltados para o Leste, não podem os cultos da Páscoa ao amanhecer ser em homenagem a ressurreição de Cristo? Acaso não ressuscitou realmente o Senhor no domingo pela manhã? E apesar do ovo ser usado pelos pagãos, não podemos continuar com seu uso para simbolizar a grande rocha redonda que estava na frente do tumulo? Em outras palavras, muitos acreditam que podemos pegar todas estas idéias e crenças pagãs e ao invés de colocá-las em pratica com os deuses falsos, elas devem ser usadas em forma de glorificação a Cristo.

À primeira vista, parece ser um bom raciocínio, mas esta idéia de adicionar costumes pagãos ao culto cristão está absolutamente condenada pela Bíblia! Aqui está o que nela se menciona: “… presta atenção a ti mesmo! Não te deixes seduzir; não imites essas nações, depois de elas terem sido eliminadas diante de ti. Toma cuidado em não procurar os seus deuses, dizendo: “Como é que estas nações adoravam os seus deuses? Vou fazer a mesma coisa!”. Não procedas dessa maneira para com Javé teu Deus, porque elas faziam aos seus deuses tudo o que é abominação para Javé, tudo o que Ele detesta. Essas nações chegaram até a queimar os próprios filhos e filhas aos seus deuses! Cuidai de pôr em prática tudo o que vos ordeno, sem nada acrescentar ou tirar”. [Deuteronômio 12: 30-31 e 13: 1]. Está claro então, nosso Deus não quer que acrescentemos nem que retiremos nada de seu culto além daquilo que Ele mesmo estabeleceu. Ele não quer que usemos costumes e rituais que os pagãos usaram, mesmo que argumentemos que isso seja em Sua honra.

A Quaresma

Tendo adotado o festival pagão da primavera do Ishtar ou Páscoa na Igreja, naturalmente foi adotado também o antigo costume do “jejum” que precede o festival da primavera. Este período de quarenta dias antes da Páscoa é conhecido como “Quaresma”. Em épocas passadas, nestes quarenta dias eram levados através de lamentações, choros, jejum e martírios para o deus Tamuz – a fim de renovar seus favores – para que ele saísse do centro da terra, terminasse o inverno e causasse o início da primavera. De acordo com as antigas lendas, o deus Tamuz tinha quarenta anos quando foi morto por um porco selvagem. Assim que quarenta dias – um para cada ano que viveu na terra – foram escolhidos para “chorar pelo deus Tamuz”. A realização desse período em honra a este deus não era conhecida somente na Babilônia, mas também pelos fenícios, pelos egípcios e por uma época, inclusive entre o povo escolhido por Deus quando caiu em apostasia. “No dia cinco do sexto mês do ano seis, estava eu sentado em casa, com os anciãos de Judá sentados na minha presença, quando sobre mim pousou a mão do Senhor Javé. Tive nesse momento uma visão: era uma figura com aparência de homem. Daquilo que seria a sua cintura para baixo, parecia fogo; e da cintura para cima, algo que parecia um brilho faiscante. Ele estendeu uma espécie de mão e pegou-me pelos cabelos. O espírito transportou-me entre o céu e a terra e, em visões divinas, levou-me a Jerusalém, até ao lado de dentro da porta que dá para o Norte, lá onde estava a imagem que tanto provocava o ciúme. Eis que lá estava a glória do Deus de Israel, tal como eu tinha visto no vale. Ele disse-me: “Criatura humana, olha para o lado Norte”. Olhei na direção do Norte, e lá estava, ao Norte da porta, à entrada, o altar do ídolo que provoca ciúme.  Então Javé disse-me: “Criatura humana, vês o que eles fazem? As abominações que cometem aqui para Me afastar do meu santuário? E ainda verás abominações mais monstruosas”. Depois levou-me até à porta de entrada, e eu vi que havia um furo na parede. Ele disse-me: “Criatura humana, abre um buraco na parede”. Abri um buraco na parede e vi uma porta. Ele disse-me: «Entra para veres as abominações que eles aqui praticam”. Entrei e vi imagens de toda a espécie de répteis e animais nojentos, todos os ídolos imundos da casa de Israel gravados nas quatro paredes. Havia também setenta homens, anciãos da casa de Israel. Jezonias, filho de Safã, era um deles. Estavam todos de pé, de frente para aquelas coisas, cada um com o turíbulo na mão queimando incenso. Subia uma nuvem perfumada. Ele disse-me: “Estás a ver, criatura humana, o que os anciãos da casa de Israel fazem às escondidas? Cada um tem um oratório cheio de imagens, pois dizem: “Javé não nos vê; Ele já abandonou o país”. Então Ele falou mais uma vez comigo: “Irás vê-los fazer abominações ainda piores”. Depois levou-me até à entrada da porta do Templo de Javé, que dá para o Norte, onde estavam mulheres sentadas, a chorar pelo deus Tamuz. Ele disse-me: “Viste, criatura humana? Pois verás abominações piores que estas!”. Então levou-me para o lado de dentro do Templo de Javé, e junto à entrada do Templo de Javé, entre a entrada do santuário e o altar, estavam vinte e cinco homens, de costas para o Templo de Javé, virados para Nascente a adorar o Sol. Ele disse-me: “Estás a ver, criatura humana? E a casa de Judá acha pouco praticar todas estas abominações que aqui fazem! Eles ainda enchem o país de violência, provocando a minha ira. E aí estão eles a aproximar o raminho do nariz. Por isso Eu também vou agir com ira. Não terei compaixão nem pouparei ninguém. Então eles invocarão aos gritos, mas Eu não lhes darei ouvidos”. [Ezequiel, capitulo 8].

Quarenta dias de abstinência ou Quaresma era conhecido e praticado pelos adoradores do demônio no Curdistão, pelos que herdaram o costume da primavera de seus mestres, os babilônios [As Duas Babilônias, pág:104]. Este costume era conhecido também entre os pagãos mexicanos, os quais costumavam fazer “jejum de quarenta dias em homenagem ao sol” [Indagações mexicanas, pág: 404, vol:1, Humboldt]. “Entre os pagãos – disse Hislop – esta Quaresma parece ter sido indispensável antes do grande festival anual em memória da morte e ressurreição do deus Tamuz”. [As Duas Babilônias, pág: 105].

Quando o paganismo e o cristianismo foram mesclados, pouco a pouco a Quaresma pagã foi unida à igreja que a praticava. Era alegado que isso servia para honrar a Cristo e não aos deuses pagãos. Durante o século 7, o papa instituiu oficialmente a Quaresma, chamando-a “Festa Sagrada” e sacramento [tornando oficial] ela ao povo, instituindo o ato de não comer carne durante este período.

Naturalmente, as pessoas que não entendem o mistério contido em tudo isto, pensam que o período da Quaresma e os dias de “abstenção” são de origem cristã. A verdade é que a Bíblia e a história antiga ensinam o contrário.

 

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[1] s.m. (Mitra, np+ismo) Culto de Mitra, divindade solar persa, um dos gênios do masdeísmo (zoroastrismo).

[2] Ishtar é a deusa dos acádios ou Nammu, dos antecessores sumérios, cognata da deusa Asterote dos filisteus, de Isis dos egípcios, Inanna dos sumérios e da Astarte dos gregos. Mais tarde esta deusa foi assumida também na Mitologia Nórdica como Easter – a deusa da fertilidade e da primavera.

[3] Tamuz ou Tammuz, é o nome de um mês hebraico, porém quando citado na Bíblia, se não que, é o nome da divindade homônima, o deus da primavera e florescimento, que segundo a mitologia babilônica, reinava durante os três meses da primavera.


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