Testando os Outros com Questões Relacionadas a Crença

Palavras de Aconselhamento » Relações Interpessoais

Hoje, alguns muçulmanos hoje em dia adquiriram o hábito de interrogar os seus irmãos e irmãs sobre questões relacionadas à fé e a Jurisprudência. Fazem perguntas sobre as particularidades da crença islâmica ou alguns detalhes sobre normas jurídicas diversas, porém a sua real intenção é não aprender absolutamente nada. Eles já sabem as respostas. O que querem realmente fazer é ver se a pessoa questionada está na crença correta em certos assuntos da Jurisprudência Islâmica – ou ter a atitude “islâmica” correta sobre determinadas questões.

Um exemplo clássico disto é perguntar: “Onde está Allah?”. Sim, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) perguntou isso a uma escrava. No entanto, as pessoas que andam por aí com essa questão em seus lábios, indagando cada transeunte, esquecem que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), nesse caso havia um motivo específico para fazê-la. Ele estava verificando qual era a sua religião, porque seu dono estava pensando em dar a sua liberdade se ela provasse ser uma muçulmana.

Interrogar as pessoas sobre questões doutrinais é um hábito ruim que os muçulmanos devem abandonar. Allah não nos ordenou interrogar os outros em relação a fé. Além disso, tal comportamento pode trazer muitas conseqüências ruins.

Por exemplo, quando uma pessoa na rua é uma pergunta sobre algum tema islâmico, quer se trate de um dogma da fé ou uma questão sobre direito islâmico, pode muito bem ser o caso que essa pessoa não saiba realmente a resposta. Na verdade, pode ser que a pessoa nunca tenha pensado sobre essa questão antes. No entanto, as pessoas geralmente são tímidos para admitir que não sabem alguma coisa. Há uma boa possibilidade de que a pessoa simplesmente faça as pazes naquele mesmo momento e dirá que aquilo esta errado.

É correto então julgarmos e sentenciarmos essa pessoa inocente – marcando-o como um desviado ou um pecador?

Allah não nos designou para sermos juízes sobre o povo. Simplesmente somos obrigados a lidar com as pessoas quando se apresentam perante nós. O que existe em seu coração é entre eles e seu Senhor.

Como muçulmanos, supostamente devemos pensar o melhor dos outros. Não devemos suspeitar, pois elas se abrigam em nosso coração. Não devemos bisbilhotar a vida das pessoas procurando suas falhas.

Allah nos diz (significado em português): “Ó vós que credes, evitai quanto possível as suspeita. Em verdade, algumas suspeitas são um pecado. Não espiones, nem vos calunieis mutuamente”. [Al-Hujjurat 49: 12].

Nunca devemos tentar obter de nossos irmãos muçulmanos algum erro para que possamos “pegá-lo”. Deveríamos pensar o melhor sobre eles e deixar esse pensamento somente para nós mesmos – e deixar o julgamento para Allah.

O que podemos e devemos fazer é ensinar as pessoas – sem primeiro testá-las no que elas já acreditam. Devemos dar conselhos sensatos para as pessoas, orientá-las para o que é correto e melhor ainda, podemos ser uma influência positiva em suas vidas. Devemos nos empenhar em divulgar a bondade, proibir o mal e ser uma fonte de orientação correta. Quando nos comportamos dessa maneira, podemos fazer o bem para nossa própria alma assim como para os outros.

O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “A religião é sinceridade”. Disse isso três vezes. Então o povo perguntou: “Para quem?”. Ele disse: “Para com Allah, Seu Mensageiro, aos líderes muçulmanos e aos muçulmanos”. [Sahih Muslim].

A palavra traduzida aqui como a sinceridade é a palavra árabe nasihah (نصيحة), que significa tanto “sinceridade” como dar  um “bom conselho”. Em referência a Allah, a palavra simplesmente significa sinceridade. No entanto, quando se trata de pessoas, parte dessa sinceridade é ser sincero aconselhando-os – com a verdadeira e correta intenção em nossos corações para que possam se beneficiar dos nossos conselhos.

E Allah sabe mais.


Unicidade e Luz
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