O que os Shi’ah (xiitas) fazem no dia de ‘Ashurah é bid’ah (inovação) e desvio?

Nº: 101268

Eu estou vivendo em Dubai e aqui existe um grande número de Shi’ah (xiitas), dizendo que sempre fazem o correto no dia 9 e 10 do mês de Muharram, e que isso é uma prova do amor que eles têm por Al-Hussain, o neto do Profeta. Eles alegam que é tal como diz o Alcorão quando Jacó disse: “E afastou-se deles, dizendo: Ai de mim! Quanto sinto por José! E seus olhos ficaram anuviados pela tristeza, havia muito retida. Disseram-lhe: Por Deus, não cessarás de recordar-te de José até que adoeças gravemente ou fiques moribundo!? Ele lhes disse: Só exponho perante Deus o meu pesar e a minha angústia porque sei de Deus o que vós ignorais…(12: 84-86)”. Por favor, me diga a resposta o mais breve possível se bater no peito que é certo ou errado?


Louvado seja Allah.

O que os Shi’ah (xiitas) fazem no de ‘Ashura de bater no peito, dar tapas no próprio rostos, bater nas suas costas com correntes e cortar sua cabeça com espadas para que sangre, são todas as inovações que não têm nenhuma base no Islam. Essas coisas são prejudiciais para a pessoa e foram proibidas pelo Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), e não foram estabelecidas para a sua nação fazer seja qualquer umas dessas coisas ou algo semelhante a elas, para marcar a morte de um líder ou a perda de um mártir, não importando qual seja o seu status. Durante a sua vida do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) uma série de Sahabah (companheiros) foram martirizados e se chorou por suas perdas, como Hamzah ibn ‘Abd Al-Mutalib, Zaid ibn Haarithah, Jafar ibn Abi Talib e ‘Abdallah ibn Rauaahah, porém ele não fez nenhuma das coisas que fazem essas pessoas. Se fosse algo bom, ele (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) nos haveria ensinado..

O Profeta Yacub (Jacó que a paz de Allah esteja sobre ele) não bateu no seu peito ou arranhou o rosto, ou derramou seu sangue no dia da perda de Yusuf (José) como um festival ou um dia de lamentação (luto). Pelo contrário, se lembrou da sua falta amado e sentindo-se triste e angustiado devido a isso. Isso é algo que acontece com todos. O que é proibido são essas ações herdadas do tempo da ignorância (dos pagãos), e que o Islam proíbe.

Al-Bukhari (1294) e Muslim (103) narraram que ‘Abdallah ibn Mas’ud (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) falou: “Não é um dos nossos aquele que bate em seu rosto, rasga sua roupa ou chora aos gritos”.

Estas ações reprováveis que os Shi’ah (xiitas) fazem no dia de ‘Ashurah não têm nenhum fundamento no Islam. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) não as fazia nem tampouco fizeram seus companheiros. Nenhum de seus companheiros procederam dessa forma quando ele morreu, embora a perda de Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) tenha sido maior do que a morte de Al-Hussain (que Allah esteja satisfeito com ele).

O grande exegeta do Alcorão Al-Hafiz Ibn Kathir (que Allah tenha misericórdia dele) disse: “Todo muçulmano deve lamentar a morte de Al-Hussain (que Allah esteja satisfeito com ele), porque ele é um dos líderes dos muçulmanos, um dos Sahabah com maior conhecimento, e o filho da filha do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), que foi a melhor de suas filhas. Al-Hussain foi um crente muito devoto e um homem corajoso e generoso. Mas não há nada de bom naquilo que os Shi’as fazem como sinal de sua tristeza e angústia, onde a grande maioria faz isso no sentido de se mostrar. Seu pai foi melhor que ele, e quando foi morto não tomaram sua morte como uma data comemorativa, como fizeram quanto à morte de Al-Hussain. Seu pai foi morto numa sexta-feira quando saía da mesquita após a oração do Fajr, no décimo sétimo (17) dia do Ramadan em 40 H (Hegira). ‘Uthman foi melhor do que ‘Ali de acordo com a Ahl Al-Sunnah ua Al-Jama’ah, e foi assassinado quando cercaram sua casa durante os dias de At-Tashriq no mês de Dhul-Hijjah em 36 H (Hegira), quando o degolaram, e mesmo assim o povo não tomou a sua morte como uma celebração. ‘Umar ibn Al-Khattab foi melhor do que ‘Uthmaan e Ali, e foi morto quando estava no mihrab  recitando o Alcorão na oração do Fajr, mesmo assim o povo não tomou a sua morte como um data de dor. Abu Bakr As-Siddiq foi melhor do que ele, porém o povo não tomou a sua morte como uma data de sofrimento. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) é o melhor dos filhos de Adão neste mundo e no outro, e Allah tirou sua vida tal como fez com os outros profetas que morreram antes dele, porém ninguém tomou a data de suas mortes como celebrações, a não ser esses ignorantes Raafidis (renegadores) que fazem isso no dia em que mataram Al-Hussain. O melhor que pode ser dito quando se relembrar destas e de outras calamidades é que ‘Ali ibn Al-Hussain narra a partir de seu avô, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), disse: “Não existe um muçulmanos que seja atingido por uma calamidade e quando relembra mesmo que seja em um passado obscuro e distante, diga Inna Lillaahi ua inna ilaihi raaji’un (certamente pertencemos a Allah e a Ele será o nosso retorno), Allah lhe dará uma recompensa como a do dia em que aconteceu a calamidade”.

Narrado pelo Imam Ahmad e Ibn Majjah, retirado de Al-Bidaaiah ua Al-Nihaaiah (8/221).

Também disse (8/220): “Os Raafidis (renegadores) chegaram ao extremo no estado de Bani Buaih no ano 400 H aproximadamente. Batiam nos tambores em Bagdá e em outras cidades no dia de ‘Ashurah, espalhavam areia e palha nas ruas e mercados, e penduravam os sacos nas lojas, e as pessoas expressavam sua tristeza e choro. Muitos deles não bebiam água nessa noite, em solidariedade com a Al-Hussain porque foi morto quando estava com sede. Em seguida, as mulheres saíam descalças, chorando e dando tapas no próprio rosto e no peito, caminhando pelos mercados fazendo outras inovações condenáveis… O que pretendiam com essas e outras ações era rejeitar o estado dos Banu Umaiah (os Omíadas), porque ele foi assassinado durante essa época. O dia de ‘Ashura, os Nasibi da Siria faziam o oposto do que os Rafidis (renegadores). Eles saiam e cozinhavam grãos no dia de ‘Ashurah e faziam ghusl (banho), perfumavam-se, usavam as melhores roupas e faziam desse dia um ‘Iid (celebração) no qual eles faziam todo o tipo de comida. Expressavam sua alegria e regozijo, tentando molestar os Rafidis (renegadores) para diferenciarem-se deles”.

Comemorar esse dia é uma bid’ah (inovação), da mesma forma tomar-lo como um dia de luto também é uma bid’ah (inovação). Por isso o xeique Al-Islam Ibn Taimiiah (que Allah tenha misericórdia dele) disse:

“Devido a morte de Al-Hussain (que Allah esteja satisfeito com ele), Satã fez com que as pessoas introduzissem duas inovações: a inovação do luto e de choro no dia de ‘Ashurah, batendo no proprio rosto, chorando, recitando versos… e a inovação de regozijo e celebração. Outros introduziram o duelo e outras celebrações, porque consideravam o dia de ‘Ashurah como um dia para usar kuhl (tipo lápis delineador de olho), fazendo ghusl (banho), passar o tempo com a família e preparar comidas especiais. E toda inovação compreende no sair do caminho correto. Nenhum dos quatro imames (Abu Hanifah, Malik, Shafi’i, Ahmad ibn Hambal) dos muçulmanos ou qualquer outro sábio considerava estas ações como mustahab (recomendáveis)”.

Fim de citação de Minhaj As-Sunnah (4/554).

Note-se que essas ações repreensíveis são incentivadas pelos inimigos do Islam, para que eles possam alcançar seus objetivos maléficos de distorcer a imagem do Islam e de seus seguidores. Relativamente a este Mussa Al-Musaui disse em seu livro AshShi’iah ua At-Tashiih:

“Não há duvidas de que golpear a própria cabeça com espadas e cortar a própria cabeça em sinal de luto por Al-Hussain, no décimo dia (10) de Muharram é algo que atingiu o Iran, Iraque e na Índia durante a ocupação britânica dessas terras. Os britânicos se aproveitaram da ignorância e a ingenuidade dos Shi’iah e de seu profundo amor pelo Imam Al-Hussain, e ensinaram-lhes golpear as próprias cabeças com suas espadas. Até recentemente, as embaixadas britânicas no Teerã e Bagdá patrocinaram o desfile Husaini onde este terrível espetáculo desfilava pelas ruas e avenidas. O objetivo da política imperialista britânica de desenvolvimento deste terrível evento e explorá-lo da pior maneira era dar uma justificativa aceitável ao povo britânico e da imprensa livre que se opôs ao colonialismo britânico na Índia e em outros países muçulmanos, e mostrar aos povos desses países como selvagens que precisava de alguém para salvá-los da sua ignorância e barbarismo. As imagens dos desfiles percorrendo as ruas no dia de ‘Ashurah, em que milhares de pessoas golpeavam suas costas com correntes até fazê-las sangrar, e golpeando suas cabeças com punhais e espadas, apareceu nos jornais britânicos e europeus, e os políticos justificaram sua colonização desses países sobre a base de uma obrigação humanitária para colonizar as terras desse povo cuja cultura era assim, e poder levar a esses povos o progresso e a civilidade. Foi dito que quando Yasin Al-Hashimi, o primeiro-ministro iraquiano na época da ocupação britânica do Iraque, visitou Londres para negociar com os ingleses um fim ao mandato, os britânicos disseram-lhe: “Nós estamos no Iraque para ajudar o povo iraquiano progredir e alcançar a felicidade, e tirá-los da selvageria”. Isto irritou Yasin al-Hashimi e ele saiu furioso da sala onde as negociações estavam sendo realizadas, mas o britânico pediu desculpas educadamente e perguntou-lhe com todo o respeito para que assistisse um documentário sobre o Iraque, que era um filme dos desfiles Husaini nas ruas de An-Najaf, Karbala e Al-Kaazimiiah, mostrando horríveis e desagradáveis imagens de pessoas golpeando a si mesmas com adagas e correntes. É como se os britânicos quisessem dizer a ele: “Será que um povo educado, mesmo tendo pouca civilidade faria tais coisas assim?”.

Fim da citação.

E Allah sabe mais.

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