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Devemos olhar o exemplo do Profeta, seus companheiros, e a primeira geração de muçulmanos, se queremos obter o máximo benefício deste mês abençoado. Ele disse: “O melhor da minha nação são os da geração mais próxima da minha. Logo, aqueles mais próximos a eles, então os mais próximos a eles”. (Sahih Al Bukhari 2652 e Sahih Muslim 2533).

Vamos olhar para alguns dos Predecessores Piedosos (Salaf) de como eles aproveitavam e como davam uma atenção extra durante o mês de Ramadan:

Leitura do Alcorão

Allah diz: “O mês do Ramadan é o mês em que o Alcorão foi revelado”. (Surah Al Baqarah 2: 185).

Por esta razão, encontramos que os Piedosos Predecessores aumentavam a sua recitação do Alcorão durante o Ramadan. Ibrahim Na Nakha’i nos diz: “Al Asuad ibn Yazid completava a leitura do Alcorão inteiro a cada duas noites no Ramadan. Dormia entre Maghrib e ‘Isha. Fora do Ramadã, ele completava a leitura do Alcorão a cada seis noites”.

‘Abd Al Malik ibn Abi Sulaiman nos diz que As’id ibn Jubair também completava a leitura do Alcorão a cada duas noites do Ramadan.

Também é mencionado que a Al Ualid, normalmente completava o Alcorão a cada três noites, mas no mês de Ramadan, o lia em dezessete vezes sua totalidade.

Salam ibn Abi Mut’i nos informa que Qatadah normalmente levava sete dias para ler o Alcorão, mas no Ramadã levava três dias para fazê-lo. De fato, durante as noites dos últimos dez dias do Ramadan, lia o Alcorão inteiro todas às noites.

Al Qasim ibn ‘Ali descreve seu pai – Ibn ‘Asakir, o famoso autor de A História de Damasco – como segue: “Ele costumava observar suas orações em congregação e era constante na recitação do Alcorão. Ele sempre completava a leitura do Alcorão inteiro até sexta-feira. No entanto, no Ramadan, o fazia todos os dias e retirava-se para o minarete leste da mesquita”.

Ad Dhahabi escreve o seguinte sobre Abu Barakat Hibah Allah ibn Mahfuz: “Aprendeu a lei islâmica e lia o Alcorão. Foi conhecido por sua caridade e suas boas ações. No mês de Ramadan, lia o Alcorão trinta vezes”.

Permanecendo em oração no meio da noite

Al-Sa’ib ibn Yazid diz: “‘Umar ibn Al Khattab ordenou Ubaii ibn K’ab e Tamim Ad Dari para conduzir o povo na oração do Ramadan. Cada um lia centenas de versos de uma vez, até o ponto que tínhamos que nos apoiar em canas devido ao período de tempo que ficávamos em pé. Terminávamos de rezar perto do Fajr”. (Musannaf ‘Abd Al Razzaq 7730 e Sunan Al Bayhaqi 4392).

‘Abd Allah, o filho de Abu Bakr, relata que ouviu o seu pai dizer: “No momento em que terminávamos nossa oração no Ramadã, os serviçais tinham que se apressar para o preparo dos alimentos com medo da chegada do Fajr”. (Al Muwatta 254).

‘Abd Ar Rahmân ibn Hurmuz nos diz: “O recitadores (líder das orações) completavam a leitura da surata Al Baqarah em oito unidades da oração. Quando os recitadores a tomavam em doze unidades de oração para terminá-la, o povo considerava como se estivessem facilitando-os”. (Musannaf ‘Abd Ar Razzaq 7734 e Sunan Al Bayhaqi 4401).

Naf’i refere que Ibn ‘Umar costumava rezar em sua casa durante o mês de Ramadan. Quando o povo se afastava da mesquita, ele ia para a Mesquita do Profeta tendo uma vasilha de água com ele. Não queria deixar a mesquita novamente ate depois da oração da manhã. (Sunan Al Bayhaqi 4384).

‘Imran ibn Hudayr nos diz que Abu Mijlaz conduzia as orações durante o Ramadan as pessoas da sua vizinhança. Recitava o Alcorão na íntegra em oração no período de sete dias. (Musannaf Ibn Abi Shaybah 7677).

Generosamente ao Dar a Caridade

Ibn ‘Abbas disse: “O Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) era o mais generoso de todos os homens ao fazer o bem, e era ainda mais generoso durante o mês do Ramadan. Gabriel se reunia com ele todos os anos durante o mês do Ramadan, de modo que o Profeta pudesse recitar o Alcorão com ele. Toda vez que Gabriel encontrava-se com ele, ficava mais generoso do que uma brisa benéfica”. (Sahih Al Bukhari 1902 e Sahih Muslim 2308).

Al-Muhallab faz a seguinte observação sobre este hadith de Ibn Battal (Comentário sobre Sahih Al Bukhari 4/22-23):

Isto mostra os benefícios das boas obras e que a participação em algumas boas ações faz com que se abram as portas para que outros também as realizem. A prática de fazer boas ações auxilia ainda mais em uma boa obra. Podemos ver aqui que as bênçãos do jejum e da reunião de Gabriel faziam com que aumentasse em generosidade e caridade o Profeta, tanto que ele tornou-se mais generoso que uma brisa benéfica.

Az Zayn ibn Munir explica a comparação com a benéfica “brisa” da seguinte forma (Al ‘Asqalani, Fath Al Bari 4/139):

Sua caridade e bom tratamento para os que são pobres e necessitados – bem como para aqueles que são ricos e possuem meios suficientes – é tão geral como o alívio trazido por uma brisa benéfica.

Ash Shaf’i disse: “É apreciado que a pessoa aumente sua caridade no mês do Ramadan. Fazer isso é seguir o exemplo do Profeta. Estão também em consideração as necessidades das pessoas e seu bem-estar, uma vez que muitos deles são distraídos em ganhar seu sustento, devido à sua preocupação com jejum e oração”.

Ibn ‘Umar nunca quebrava seu o jejum, exceto na companhia dos pobres. Sempre que alguém queria sua companhia enquanto estava comendo e lhe pedia algo, Ibn ‘Umar tirava de sua comida o que ele considerava ser a sua parte legítima e, em seguida, se levantava e deixava o resto da comida para essa pessoa. Logo, pegava o que estava em sua mão e dava a sua família, de modo que quando acordava na manhã seguinte para continuar o jejum, ele não tinha comido nada na noite anterior. (Latâ’’if Al Ma ‘Arif 314).

Yunusibn. Yazid nos conta que durante o mês de Ramadan, Ibn Shihab não fazia nada além de recitar o Alcorão e fornecer alimentos aos pobres.

Hammadibn. Abi Sulaiman tomava para si mesmo a prestação de alimentos a quinhentas pessoas para quebrar o jejum no decurso do mês de Ramadan. Então, no dia do ‘Id, ele dava a cada uma dessas cem peças de prata.

Salvaguardar a Língua

Abu Hurairah relata que o profeta (que a paz esteja sobre ele) disse: “Aquele que não abandona a mentira e a falsidade, o Allah não tem necessidade de que a pessoa abandone sua comida e bebida”. (Sahih Al Bukhari 1903).

Al Muhallab faz a seguinte observação sobre este hadith (Ibn Battal, Comentário sobre Sahih Al Bukhari 23/04):

Isso mostra que o jejum implica abster-se de obscenidades e falsas palavras como também implica abster-se da comida e da bebida. A pessoa que se engaja no discurso falso ou obsceno, diminui o valor do seu jejum, se expõe a insatisfação de seu Senhor e à possibilidade do seu jejum não ser aceito.

O Profeta (que a paz esteja com ele) disse: “Se um de vocês começa o dia em jejum, ele deve evitar palavras obscenas e comportamento ignorante. Se alguém abusar ou começa a brigar com você, deve responder dizendo: Eu sou jejuando. Eu estou jejuando”. (Sahih Muslim 1151).

Al-Mazari comenta sobre este hadith:

“Possivelmente a pessoa seja recomendada dizer “eu estou jejuando, eu estou jejuando” apenas para lembrar a si mesmo, que ele se abstenha de se envolver na troca de insultos”.

‘Umar ibn Al Khattab disse: “Uma pessoa não se limita no jajum apenas de alimentos e bebidas, mas também da mentira, da falsidade, das futilidades e dos falsos juramentos”. (Musannaf Ibn Abi Shaibah 8882).

‘Ali b. Abi Talib disse: “O jejum não é somente deixar de comer e beber, mas sim deixar a mentira, falsidade e as conversas em vão”. (Musannaf Ibn Abi Shaibah 8882).

Talq ibn Qays nos diz que Abu Dharr disse: “Quando jejuardes, então baixe sua guarda o quanto possível. Assim como Talq, quando em jejum, só saia de sua casa para ir à mesquita nas orações”. (Musannaf Ibn Abi Shaibah 8878).

Jabir ibn ‘Abd Allah disse: “Quando jejuardes, sua audição, sua visão, e sua língua também deve jejuar – evitando as mentiras e o pecado. Não deve abusar de vosso servo. Deve manter sua compostura e dignidade no dia em que você esteja jejuando. Não faça que seu dia de jejum seja o mesmo que seu dia normal”. (Musannaf Ibn Abi Shaibah 8880).

‘Ata nos diz que Abu Hurairah disse: “Quando jejuardes, não aja de forma ignorante e não insulte as pessoas. Se alguém se ignorante com você, diga:” Eu estou jejuando”. (Musannaf ‘Abd Ar Razzaq 7456).

Mujahid disse: “Se você evitar duas coisas, então seu jejum será certo. Deves evitar a calúnia e a mentira”.

Abu Al ‘Aliiah disse: “Uma pessoa em jejum está envolvido em adoração, sempre quando não falar mal de alguém”.


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