A moderação ao fazer julgamentos

As coisas mudam, os temas variam, e o presente é testemunha de coisas novas. Sem dúvida alguma, o tempo passa e a civilização muda e é fértil, portanto muitas vezes a opinião de um jurista não é suficiente para todos os casos.

Portanto, deve haver uma abordagem moderada e claramente definida no momento de julgar os assuntos, condições, pessoas, idéias, intenções, metas, sociedades, estados, sábios e divulgadores. Esta abordagem moderada deve ser transmitida através de acordos para familiarizar assim, aqueles que buscam estabelecer uma reforma e encontrar o caminho através dele. Os sábios muçulmanos estabeleceram o seguinte princípio: “A capacidade de julgar uma determinada questão depende do saber de todos os seus detalhes”. Allah, Exaltado seja, diz no Alcorão: “Não sigas e falais nada (oh humanos) que não tenhais conhecimento, porque sereis interrogados no que haveis utilizado o teu ouvido, a tua vista e o teu coração” (Alcorão 17:36). Quem pretenda julgar assuntos, intenções, pessoas, ideologias ou crenças sem ter conhecimento jurídico suficiente estará agindo de modo ignorante e irresponsável.

É necessário refletir sobre este versículo e nos apegar aos mandamentos de Allah, Exaltado seja. Ele proibiu as pessoas julgarem as questões sem ter um pleno conhecimento jurídico, considerando o fato de fazer-lo aproxima a pessoa da idolatria. É dito no Alcorão: “Dize: Meu Senhor vedou as obscenidades, tanto pública como privada, os pecados, a opressão, a idolatria, e dizer sobre Ele o que ignorais”. (Alcorão 7: 33). O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) também proibiu emitir julgamentos sem conhecimento de causa, dizendo: “Apressar-se em emitir fatuas [sem ter o conhecimento jurídico] é como correr para entrar no inferno[1].

Muitas vezes as pessoas são rápidas ao julgar. No entanto, os estudiosos e os intelectuais que seguem o método tradicional correto de avaliar as questões, sendo que eles não devem ser apressados na hora de emitir tais fatuas.

Os intelectuais, sejam graduados ou não, devem se abster de métodos não tradicionais para julgar as questões. Em quanto às pessoas comuns, obviamente, não devem julgar além do método científico islâmico, porque caso contrário, encontraremos resultados aterradores. Podem ser emitidas opiniões erradas sobre as questões, ideologias, pessoas, sociedades e países, inclusive as intenções e os sábios muçulmanos, com as conseqüências que já vimos e outras piores que nem sequer imaginamos.

Devemos nos esforçar para estabelecer um método intelectual que nos ajude a tomar decisões. Existiriam conclusões firmes se não houvesse um método intelectual firme? É muito importante estabelecer ideologias e meios corretos para julgar as coisas.

As pessoas não deveriam se apresar em emitir um julgamento, porque não conhecem os detalhes do tema em questão; os temas mais sérios devem ser deixados nas mãos dos sábios competentes que analisarão coletivamente e minuciosamente. Como pode então, que os alunos do conhecimento, os intelectuais, os instruídos ou as pessoas comuns possam assumir a responsabilidade de julgar situações, países ou ideologias, sem ter a correspondente consideração, sagacidade e aplicação da Shari’at?

Algumas pessoas acostumaram julgar questões sobre princípios específicos, acreditando que com uma só regra textual serve para dar conclusões gerais. Se tivesse sido assim tão fácil, os juristas não haveriam sido poucos tanto no passado como no presente.


[1] Relatado por: Ad Darami em seu livro de compilação da Sunnat, capítulo sobre “Emitir Fatuas e sua complexidade” 1/57.