A moderação no pensamento

A moderação é necessária para julgar situações e também no método de pensamento e consideração das causas e conseqüências. Muitas pessoas lidam com questões baseadas em fatos, considerando apenas aquilo que vêem sem meditar nas conseqüências. No entanto, os sábios seguem os princípios da Shari’at, entendem os objetivos dos seus textos e, portanto, consideram tanto as causas como os possíveis resultados. Aqueles que refletem adequadamente as causas pensando nas razões e nos motivos estarão mais aptos para julgar de maneira correta os fins. Por outro lado, aqueles que ignoram as causas não observando as razões e as motivações concentram-se somente nos objetivos. Claro que isso é uma maneira errada de pensar, porque um pensamento firme requer a análise tanto no inicio como no fim. Aqueles que não consideram as conseqüências estão em risco de sair da senda reta. As pessoas que priorizam suas emoções e aqueles que têm uma mente muito limitada são atraídas pelas aparências sem considerar as conseqüências.

A moderação também é necessária para distinguir a realidade da especulação. Muitas pessoas se preocupam com as teorias e ações que pode ser corretas, porém elas não são viáveis. Então…, é lógico que os estudiosos da Shari’at e aqueles que buscam o bem comum para as pessoas caiam presas em meras especulações impossíveis de serem colocadas em prática?

Aqueles que buscam uma verdadeira reforma devem basear seu trabalho no que é praticável e não construí-lo sobre teorias que possam tornar a realidade odiosa. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) começou a espalhar sua mensagem em um povo pagão. Por acaso conseguiu eliminar imediatamente todos os procedimentos e métodos do paganismo? A resposta é não.

Senão que utilizou a base dos costumes pagãos para espalhar a mensagem do Islam. Se este é o grau de interação com um sistema pagão, como deve ser então, se estamos em um país islâmico, ou entre muçulmanos, ou entre diferentes sábios e estudiosos em assuntos nos quais existem em si mesmos diferentes interpretações?

Aqueles que se apegam à Shari’at, aqueles quem convidam as pessoas para o Islam, os oradores, os imames nas mesquitas, e os estudiosos muçulmanos, devem se limitar à realidade ao apresentarem temas e palestras. Não é aceitável apresentar questões de uma maneira imaginária que seja impossível de praticar. As pessoas simplesmente não aceitarão colocar em pratica aquilo que desaprovam. As condições e diferenças sociais das pessoas que estamos nos dirigimos também devem ser levadas em conta, pois elas não aceitam a especulação ou teorias impraticáveis.

O mesmo se aplica para aqueles que trabalham no campo da divulgação do Islam (D’awah[1]). Eles devem colocar em pratica o que divulgado. Não devem desviar-se da realidade como aqueles que clamam a guerra (jihad) embora não haja razão alguma para isso. Outro exemplo é o daqueles que convocam os muçulmanos a luta armada por exemplo, embora isso seja algo que compete apenas às autoridades. Estes chamados apenas provocam fanatismos nas pessoas que tentam canalizar seu extremismo através de meios ilegais, como os recentes ataques terroristas na cidade de Riyad.

Portanto, é preciso ser responsável com aquilo que diz e ser realista, ou seja, uma pessoa não deve falar sobre as coisas uma forma tal que esteja distanciada das pessoas em uma interpretação completamente diferente daquela desejada. Ao contrário, deve-se ter em mente que o quadro geral não é o mesmo do que de seus ouvintes. Alguns professores universitários ou imames de mesquitas fazem afirmações que são verdadeiras em si mesmas, mas têm uma estrutura de aplicação restrita na qual eles conhecem perfeitamente, mas é muito provável que seus ouvintes a ignorem, em relação a essa possibilidade de interpretação é que Allah diz no Alcorão: “Oh vós que credes! Não diga: Râ’ina [árabe: cuida-nos, e em hebraico era um insulto que os judeus que a usavam para fazer piada do Profeta], mas: Observa-nos e obedecei”. (Alcorão 2: 104). Isto significa que Allah, Exaltado seja, proibiu aos crentes o uso de um termo que poderia levar a interpretações equivocadas e de duplo sentido.


[1] A palavra D’aua também escrito como D’awah ou D’awat (دعوة) no significado tanto religioso ou lingüístico do árabe, não significa simplesmente divulgar, mas sim, “convidar” ou “chamar”; no sentido da pessoa ser convidada ou chamada para o Islam, conseqüentemente ela obtem a salvação nessa vida e na outra. (nota: tradutor e revisor)