A conexão entre o mal-entendido e a violência

Aqueles que fazem discursos nas mesquitas, escolas ou universidades podem chegar a pronunciar frases incorretas, ambíguas ou possíveis a erros de interpretação, e ao não fazer os esclarecimentos necessários tornam-se os responsáveis do abandono da moderação de seus ouvintes.

Devemos considerar o hadith do Mensageiro de Allah que diz: “Allah é bondoso e ama a bondade em todos os assuntos; e recompensa as pessoas pela sua bondade, sendo que despreza a violência”. (Relatado por: Muslim 2593). Isto se refere ao fato de que os muçulmanos devem ser tolerantes quando se trata de conversações, pensamentos, orientações e aconselhamentos. Allah, Exaltado seja, é bondoso e ama a bondade em todos os assuntos. Devemos, então, dizer algo que não se ajusta com aquilo que agrada a Allah, Exaltado seja? A pessoa intolerante em seu comportamento, pensamento, busca de objetivos, percepção das coisas, forma de atuar e julgar as coisas e as pessoas, perde a recompensa e o amor de Allah, Exaltado seja.

A Moderação é também necessária para divulgação do Islam. A divulgação do Islam requer ordem e coordenação na justiça e na devoção. Deve ser implementada através da cooperação das pessoas corretamente guiadas. Devemos ser tolerantes evitando a formação de organizações desviadas ou secretas, ou apoiando objetivos contraditórios e irreais.

O convite ao Islam (D’auah) deve ser baseado na justiça e na piedade segundo o método dos muçulmanos Sunnis. Nos países muçulmanos, as autoridades devem ser seguidas e obedecidas. A obediência a certos grupos ou ideologias não é licito se contradiz a obediência às autoridades.

Quando o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) enviou Mu’adh e Abu Musa ao Iêmen, um deles foi nomeado líder (Emir). O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ordenou-lhes: Facilitem (os assuntos religiosos para as pessoas) e não os torne difíceis. E mais, levem a eles boas novas e não os afastem do Islam, e obedeçam uns aos outros”. (Relatado por: Al Bukhari 4341). Não há lugar para a obediência cega e obrigatória em uma aliança ou organização. A obediência é devida somente a Allah, Exaltado seja, Seu Mensageiro e a pessoa com autoridade sempre e quando não ordene algo que vá contra os princípios estabelecido pela Shari’at.

Devemos cooperar com justiça e a piedade e cumprir as políticas da autoridade, e também cumprir com tudo aquilo que não cause corrupção.

Sem duvida, existem outros limites que ocupam a mente das pessoas como existem em alguns países – também existentes aqui – que nos são transmitidos pelas organizações secretas ou partidos desviados, e que não são consistentes com a forma moderada e a metodologia Sunni. Apesar dos distúrbios que predominavam em seus tempos, nenhum dos imames muçulmanos formou um partido que contradizia a autoridade responsável, nem tampouco formaram alguma outra organização. Pelo contrário, aceitavam o caminho moderado que considera possíveis os objetivos e ao chamado islâmico à cooperação na justiça e na devoção.

Necessitamos moderação para encontrar as soluções para os problemas do povo muçulmano, pois alguns porta-vozes religiosos, sábios islâmicos e muçulmanos entusiastas podem acreditar que os problemas do nosso povo serão resolvidos mediante o zelo religioso. Se esta tivesse sido a solução, teria ajudado o Profeta Noé, foi um exemplo de homem com entusiasmo em relação ao monoteísmo. No entanto, o entusiasmo religioso do Profeta Noé não foi suficiente para derrotar o politeísmo e destruir a idolatria que prevaleciam em seu tempo.

De acordo com o Alcorão, o Profeta Noé continuou seu chamado para o monoteísmo durante 950 anos. Allah, Exaltado seja, disse: “Em verdade, enviamos a Noé a seu povo e permaneceu entre eles 950 anos. E no meio da iniqüidade lhes surpreendeu o dilúvio”. (Alcorão 29: 14).

Este exemplo de paciência e persistência que se prolongou por 950 anos sendo incentivado pelo entusiasmo religioso é sim um digno caminho de percorrer. Os problemas que nosso povo enfrenta hoje, como a ignorância religiosa que vemos na maioria dos países muçulmanos, a falta de uma fé pura, e a busca de interesses mundanos à custa dos religiosos não podem ser resolvidos através do falso zelo religioso. Podem ser resolvidos todos estes problemas através de uma mudança forçada, sendo que essa mudança esteja contra os princípios estabelecidos na Shari’at para mudar o incorreto?

Quando convidamos outras pessoas para o Islam, devemos adotar um caminho moderado entre os dois extremos: aqueles que são indiferentes e nunca se preocupam em encontrar as soluções para os problemas, e aqueles que estão no caminho do fanatismo e do extremismo e possuem atitudes desviadas.

Devemos trabalhar em uma estreita cooperação baseada em um método legal autorizado e definir os problemas de nosso povo, na tentativa de encontrar soluções. Não devemos poupar esforços na hora de buscar a bondade, a reorganização e dar conselhos tendo em conta a situação atual, orientados pelo método legal e cumprindo o que é válido em cada situação particular. Aqueles que tendem a buscar soluções para os problemas do nosso povo através de ilusões ou pseudo-teorias, continuarão se enganando em tais fantasias e os problemas continuarão sem uma solução real.

Além disso, devemos ser moderados no que diz respeito à forma de como lidamos com as tribulações que nos acontece como povo, adotando um caminho moderado entre o exagero dos problemas e o desinteresse dos mesmos. Os países muçulmanos em geral estão sujeitos a abusos e nosso país também está em perigo. Como devemos responder a isso?

Principalmente, em relação ao nosso abençoado país, uma fortaleza do Islam, a fonte de eterna Mensagem, a fonte de apego e reforma, vertente de bondade, todos nós devemos trabalhar de mãos dadas. Nosso governo trabalha em cooperação com os ministérios, associações, universidades, instituições de caridade, estudiosos e propagadores, para combater a crise e encontrar soluções para os problemas.

Muitas crises aconteceram e muitas pessoas enfrentaram as chamas devido suas ações irresponsáveis ou seus excessivos entusiasmos e até mesmo por serem indiferentes.

Devemos cumprir o seguinte:

Por isso, temos de ser eficazes através da abordagem moderada, procurando exercer influência dentro das circunstâncias específicas de cada situação ou pergunta. Sob nenhum ponto de vista devemos confundir entusiasmo ou exagero na manipulação dos nossos assuntos.

Por tanto, é necessário projetamos o seguinte:

Primeiro: O apego ao monoteísmo.

Segundo: A obediência à Sunnat do Profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).

Terceiro: A importância da unificação dos muçulmanos.

Pontos em que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) refutava método pagão:

O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) refutou o povo pré-islâmico pagão de muitas maneiras. Sobre esses temas o Imam Muhammad ibn ‘Abdul Wahab, escreveu em seu livro “Os conceitos pagãos pré-islâmicos”. Em seu livro mencionou três pontos considerados mais importantes do período pré-islâmico onde o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) os contradiz abertamente:

Primeiro: O monoteísmo (Tauhiid). O povo na época era politeísta, enquanto que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) pregava o monoteísmo puro.

Segundo: A obediência ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), já que as pessoas naquele tempo não obedeciam a seus líderes, mas Allah, Exaltado seja, ordenou aos crentes que obedecessem ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele).

Terceiro: A obediência às autoridades, os habitantes de Makka não tinham um líder antes do Islam, porem o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) chamou para que obedecessem a um líder.

O Imam Muhammad ibn ‘Abdul Wahab disse que essas três questões em detalhes mostravam que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) pregou e convocou as pessoas para a luz destes três conceitos.

Na verdade, isso é o que nós devemos predicar; pois aqueles que exageram os já tensos problemas colocando dúvidas, ilusões e males, causarão dessa forma um dano aos interesses públicos e espalharão o fanatismo. Em tempos de crises, não devemos exagerar, pelo contrário, devemos encontrar soluções que atendam os ensinamentos da Shari’at e os requisitos de um raciocínio firme, sábio, paciente e moderado.