Aconselhamentos » Aconselhamento Conjugal

Se dermos uma olhada rápida no que está sendo dito na televisão, no rádio, nas revistas e em fóruns da Internet sobre o casamento no passado e no presente, rapidamente vemos uma tendência. Podemos resumir esta tendência, repetindo o que nossos avós continuam nos dizendo: “A bênção foi retirada de nossas vidas.”

Parece haver um consenso de que a vida conjugal era melhor no passado. Obviamente percebemos que hoje em dia temos problemas em nosso casamento que não existiam antes. Apesar do fato de que a vida no passado eram certamente mais difícil e mais rigorosa, existia um certo grau de afeto, a intimidade e a estabilidade em suas vidas que não desfrutamos hoje. Apesar dos avanços em nosso conhecimento, nossa tecnologia, e todas as comodidades e luxos que elas nos trazem, parece que estamos menos felizes do que nossos avós. Nossos laços sociais são muito mais frios e tensos.

A vida moderna pode ser menos dura e esgotante, mas é mais estressante. Além disso, as nossas dificuldades pessoais em casa e com nosso trabalho são agravados por problemas econômicos em geral e um mundo de crises políticas. Onde é que vamos dar vazão à nossas frustrações em primeiro lugar? Quem consegue suportar o peso de todos os nossos estresses? Quem se não a esposa. Muitas vezes o cônjuge recebe uma parte da culpa ou ele é acusado de não dar apoio suficiente.

E o que acontece em nossas vidas tão ocupadas, vidas estressantes quando um dos cônjuges tenta trazer amor e carinho – um pouco de romance – de volta para a o filme (a vida)? Qual é a resposta muitas vezes?

Querida, não temos tempo para tudo isso. Nós não somos mais adolescentes. Somos adultos bem crescidos”.

Como se afeição e amor possuíssem uma data de validade! Como se ao ficarmos velhos, e uma vez que têm filhos e responsabilidades, não há mais nenhum tempo para essas coisas.

O Alcorão coloca a mentira sobre esta idéia. Allah diz: “Entre os Seus sinais está o de haver-vos criado companheiras da vossa mesma espécie, para que com elas convivais; e colocou amor e misericórdia entre vós”. (Surat Ar Rum 30: 21).

Este versículo nos mostra a natureza permanente do amor que deve existir entre marido e mulher. Quando se fala sobre o amor, não está se falando sobre as paixões fugazes (breves), como vemos nos filmes, mas sobre algo importante, algo que supostamente é tecido no mesmo enredo da vida de casado.

Ibn ‘Abbas oferece o seguinte comentário sobre este versículo: “Um homem tem amor para com sua esposa, e a “misericórdia” é a misericórdia que sente por ela e que deve estar à frente ante qualquer infortúnio. Esse amor e misericórdia não são sentimentos passageiros. Pelo contrário, isto é a fonte de permanente ternura, bondade e de uma boa relação”.

Portanto, nossas vidas ocupadas, a nossa maturidade, nossos filhos, e todas as outras desculpas que se tornaram comuns hoje em dia para justificar uma vida matrimonial sem afeto – as desculpas não possuem peso algum. É como nossos estudiosos do passado disseram: “A sociedade manterá na bondade, desde que não busquem desculpas para si mesmo”.

Apesar do fato de que o amor conjugal é um princípio estabelecido na nossa fé e na nossa cultura islâmica, temos negligenciado dar nossa atenção. Estamos relutantes em explorar suas dimensões ou a dedicar um estudo sério do mesmo. Agora, em vez disso, o mundo muçulmano esta debatendo a idéia de “educação sexual” no currículo escolar moderno. Educação sexual? É isso que se supõem ensinar para as crianças que não aprenderam ainda a forma de como mostrar o amor? Para os meninos que não têm idéia de como se relacionar corretamente com as mulheres – a começar por suas próprias mães e irmãs, e depois no futuro com seus filhos e esposas?

Amor – a emoção adequada – é um princípio da religião e cultura islamica, tanto é que Deus faz parte da integralidade do nosso relacionamento com Ele. “As quais amará, e eles O amarão (Allah)” (Surat Al Mâ’idah 6: 54) . Deus poderia ter dito: “Eles devem reverência a Ele” ou “Eles devem segui-Lo” ou “Eles devem temê-Lo”. Por que Deus escolhe “amor” como a descrição do laço que une seus adoradores?

Os estudiosos do Alcorão explicam: “A perfeição de seguir os princípios da fé e da prática de boas ações só é realizada com base no amor. É o meio de realização e do crescimento espiritual”.

Aprender sobre o amor começa em casa. O primeiro exemplo que as crianças têm são os seus pais. Portanto, se nós, como maridos e esposas vivemos friamente entre si, sem o carinho e o afeto; que exemplo de amor estamos dando aos nossos filhos? É irônico que as crianças são a desculpa que muitos pais dão para não ter o tempo necessário para sua vida conjugal amorosa e afetiva.

O Profeta (que a paz esteja com ele) foi mais afetuoso e meigo com sua família e estimulou seus seguidores a fazerem o mesmo. Durante sua peregrinação de despedida, nesse ultimo famoso sermão, se dirigiu a seus seguidores, dizendo: “Eu vos aconselho serem bondosos com suas  mulheres. Apenas um homem nobre e de honra os demonstra e apenas um homem baixo demonstra o desprezo”.

O sinal de conhecimento decorre em aprender o amor e de ser amado. Quem semeia o amor em sua vida conjugal colherá o amor, e quem semeia severidade e rispidez terá em suas uniões (casamentos) uma colheita amarga.


Unicidade e Luz
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